Entrevista com a autora Narjara Pedroso


Mineirinha de Timóteo, Vale do Aço, mora em Recife, PE, com o marido, um casal de filhos e um gato siamês chamado Cookie – seu fiel companheiro de escrita. Viciada em livros, música, séries e doces, ama cozinhar nas horas vagas. Começou a escrever poemas e contos aos 12 anos. Aos catorze anos teve a ideia de seu primeiro romance. Descubra mais sobre a autora na entrevista abaixo.


O que podemos esperar em suas histórias?

Em meus livros você vai encontrar protagonistas femininas passando por algum momento de transformação. Gosto de escrever sobre o universo feminino. Em meu primeiro livro (A nossa história: as memórias de Safira Di Adamâncio), retrato os dramas e as paixões de uma adolescente. Mostro suas inseguranças, seus medos e como ela supera isso no decorrer de sua vida. No conto Olhar Inocente, meu foco é numa jovem que precisa se autodescobrir. Ela passa a vida toda à sombra de seus pais, do namorado e da sociedade. Mas, um encontro inusitado fará com que ela questione seus valores, sua maneira de viver e seus sonhos. No romance de época Como se tornar uma canalha, resolvi quebrar os paradigmas e ir contra tudo que já li do gênero. Por que só o homem é retratado como o libertino e o canalha? Por que a mulher também não pode exercer esse papel? Neste livro, mostro a descoberta da sexualidade de uma jovem do século XIX, época que as mulheres não possuíam direitos nem liberdades. Mas, Mary Ann vai conquistar seu espaço e mostrar que as mulheres também podem se tornar canalhas.


Qual foi a sua maior inspiração no começo da escrita?

Minha maior inspiração no começo foi o livro "Ana e Pedro: Cartas", da Vivina de Assis Viana e do Ronald Claver. Eu tinha 14 anos e fiquei apaixonada pelas cartas trocadas entre as personagens, então resolvi escrever um livro cheio delas. Outros autores que me inspiraram foram: Emily Brontë, Alexandre Dumas, Camilo Castelo Branco, dentre outros.

Dos contemporâneos que me inspiram: Kel Costa, Karina Heid, Halice FRS, Lisa Kleypas, Lorraine Heath, Colleen Hoover e Sarah J. Mass.


Qual foi o livro que marcou seu 2020?

"Lady Audácia", Karina Heid


Quando percebeu que escrever era o que mais te alegrava?

Sou leitora voraz desde que aprendi a ler. Desde criança, sempre tive aptidão para criar histórias. Cada brincadeira nova que eu inventava, havia uma história por trás. Comecei escrevendo poemas e pequenos contos. Aos 14 anos já sonhava em ser escritora profissional e tive minha primeira ideia para um romance. Então, decidi cursar Letras para um dia trabalhar com revisão de livros. Assim, juntei meu maior hobby com a possibilidade de aprender a criar minhas próprias histórias.


Se você ficasse presa numa ilha e pudesse escolher três livros, quais seriam?

"O morro dos ventos uivantes", Emily Brontë

"O Conde de Monte Cristo", Alexandre Dumas

"Corte de Névoa e Fúria", Sarah J. Mass


Para você, qual o maior casal na literatura?

Meu casal favorito é Rhysand e Freye, de Corte de Névoa e Fúria


Qual cena mais te marcou em um livro?

Contém spoiler: O suicídio do Lochan, no livro "Proibido", da Tabitha Suzuma


Existe algum autor que todo mundo ama e você não?

Nicholas Sparks.


Já deixou de ler por preconceito com algum gênero?

Sim, não gosto de ler autoajuda. Já li vários, mas não consigo me identificar com o gênero.


Qual clichê não pode faltar de forma alguma em um romance?

Gosto dos clichês, mas prefiro textos inovadores, então não tenho um clichê preferido. O que não pode faltar num romance, para mim, é um bom desenvolvimento das emoções das personagens. Quanto mais drama para que isso aconteça, mais eu gosto.


Qual o maior perrengue que passou sendo uma autora independente?

No último livro que publiquei, meu computador deu pau na hora de salvar a versão final. Quando consegui resolver o problema e abri o arquivo, percebi que o Word não havia salvado todas as alterações. Então precisei revisar os últimos 4 capítulos para subir o arquivo naquela mesma noite no KDP. No final, precisei revisar o arquivo novamente depois de publicado, porque passou um monte de erros que eu não percebi na hora.


Como você acha que serão os livros do futuro?

Pelo que tenho visto ultimamente (pelos livros que têm feito sucesso na Amazon), os livros serão superficiais, clichês e sem graça. Porque o leitor (estou generalizando, mas sei que não são todos assim) tem se tornado tão chato com algumas demandas que poda a criatividade do escritor. São tantos gatilhos, tantos traumas, tantas críticas, que fica difícil escrever algo sem ofender alguém no processo. Ao mesmo tempo que estes mesmo leitores dão preferência para histórias rasas. Espero que eu me engane!


Tem algum livro que você pensa “poxa, gostaria de ter escrito”?

Sim! Mas não porque gostei da história, e sim porque esperava mais dela, então decidi que escreveria algo parecido e corregiria os erros que o autor cometeu. Disse para mim mesma que eu poderia fazer melhor. Atualmente estou trabalhando nesta ideia.


Qual sua opinião sobre ghostwriter? Se recebesse uma proposta, qual seria sua atitude?

Não sou contra, até aceitaria trabalhar como ghostwriter se fosse necessário. Sei que é difícil fazer sucesso e adquirir um bom salário com a publicação de livros, então não julgo quem usa seu talento anonimamente para colocar alimento na mesa. Ainda bem que não preciso fazer isso e posso ser reconhecida pelos textos que escrevo.


Como você convenceria alguém que não gosta de ler, a ler?

Já fiz muito isso. Sempre que tenho oportunidade, tento incentivar a leitura por onde passo. Falo daqueles livros que mais gosto, conto um trecho da história e deixo a pessoa curiosa para saber mais, aí eu digo pra ela ir ler. Também incentivo a pessoa a procurar pelo que a atrai. Qual o gênero, o assunto, que mais lhe agrada em filmes e séries? É só a pessoa procurar livros desse nicho e começar a ler.


Qual é o seu coadjuvante favorito? E se ele fosse o protagonista, o que mudaria na história que faz parte?

O Caio, do livro "A sua espera", da Tamires Barcellos. Ele ganhou seu próprio livro depois, pela insistência das fãs. Mas, se ele fosse o protagonista do primeiro livro, o relacionamento do casal aconteceria mais cedo, haveria mais comédia e a história teria menos dramas.


Já pensou em escrever algo que fosse totalmente fora de sua zona de conforto?

Sim. Tenho uma ideia para um livro de ficção científica. Amo ler o gênero, mas nunca escrevi nada do gênero, então fico com o pé atrás, com medo de não dar certo. Mas, um dia vou colocar no papel.


Como você vê o protagonismo feminino na literatura nacional?

Se for sobre a presença de autores do sexo feminino, estamos indo bem. A Amazon abriu as portas para os autores independentes e para as minorias. Então as mulheres dominaram a Amazon (risos). Mas, se for sobre personagens femininas na literatura nacional, estamos no caminho certo. Ainda há muito para conquistar.


Qual seria a trilha sonora ideal para os seus livros?

Aquelas baladas de voz e violão, estilo Kina Grannis.


Já teve dificuldade em encontrar um final para alguma história que escreveu? Se sim,

como resolveu?

Sim. Minha maior dificuldade é colocar um ponto final na história. Sempre fico com medo de o final não corresponder à altura da história.